De manhã a minha sombra
com meu papagaio e o meu macaco
começam a me arremedar.
E quando saio
aminha sombra vai comigo
fazendo o que eu faço
seguindo os meus passos.
Depois é meio-dia.
E a minha sombra fica do tamaninho
de quando eu era menino.
Depois é tardinha.
E a minha sombra tão comprida
brinca de pernas de pau.
Minha sombra , eu só queria
ter o humor que você tem,
ter a sua meninice,
ser igualzinho a você.
E de noite quando escrevo,
fazer como você faz,
como eu fazia em criança:
Minha sombra
você põe a sua mão
por baixo da minha mão,
vai cobrindo o rascunho dos meus poemas
sem saber ler e escrever.
“Eu poderia dizer”, escreveu José Lins do Rego, “que com esse caderno dos Poemas o Nordeste teve o seu primeiro livro de poesia. O Nordeste dos cangaceiros, do rio de Sao Francisco, de Lampião, do padre Cicero, da Great Western Brazil Railway, dos engenhos-bangtiés, das procissões, das bonecas de pano que se vendem nas feiras, de toda a sentimentalidade tão característica de nossa gente”. Alguns dos poemas desse livro e do que se lhe seguiu, Novos Poemas, garantem ao seu autor um nome duradouro em nossa poesia, porque figuram entre as melhores e mais saborosas interpretações da paisagem e da alma brasileiras. Não se confina o poeta num estreito nacionalismo. |
Jorge de Lima (União dos Palmares, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953) foi um poeta, romancista, pintor, político, médico e ensaísta brasileiro, considerado um dos principais autores do modernismo no Brasil. Ao longo de sua vida, sua obra se aliou a diversos movimentos artísticos, como o parnasianismo, o surrealismo e o regionalismo. Na década de 1950, alcançou prestígio máximo com a publicação da epopeia Invenção de Orfeu, que procurou renovar a poesia épica de acordo com os princípios modernistas. (Wikipedia)
