POESIA

Poemas de Jamerson Eduado Reis

Imagem: Georg Oeder, Japanische Stichblätter und Schwertzieraten, 1916.

poema que a foto da sindia escreveu pra mim

aquele céu rosa de outubro
gotejou sobre a cabeça
esses pequenos coágulos
que não quero enxugar
pra depois encontrar
nossos corpos
machucados
na memória
como
corpo

§

pedra pioneira peso
que incomoda
corpo que pedra
incorpora
de um jeito estranho
pedra incompleta
incorpedra-se
o peso corpo afora

§

elogio para a calçada do largo de são sebastião

partindo o corpo contra a onda
a água anda partida
voltando entre o lugar
indo para
onde o corpo partindo vai
contra quem anda

§

cada pedaço de escama que antes fazia parte de um todo agora é seu próprio todo
dorme o sono de todos em cima das coisas que habita como cama
não é tudo mas ao fim é tudo que resta de todos
esse sono de partícula em cima ou dentro das coisas
como imitação da ancestral cósmica
toda poeira se agrupa na matéria
sonhando ser de novo escama de prata
nas costas nuas do peixe interminável

Jamerson Eduardo Reis nasceu em 1991, na cidade de Manaus (AM). É professor do ensino básico e doutorando em Teoria Literária pela Unicamp. É autor de cavalos (Patuá, 2023).  

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