POESIA

Inéditos de Brenno Costa

Imagem: Stage Illusions and Scientific Diversions, 1897.

Caixa torácica

Estava tão triste e alheio naquela noite,
que uma bala perdida atingiu meu tórax e eu sorri.

§

Toda criança gosta de ser adivinho

Uma menina de frente para o mar no Líbano prevê duas tragédias.
Um navio chamado Titanic desatraca
de um porto na Inglaterra.
Em uma maternidade de Nova York,
o tabelião registra um nascimento: Donald Trump.

§

Confissão

Quando Cristo foi crucificado, Vera
o martelo era você e a tua força empurrava
/cada vez mais/
os punhos dele contra a madeira.
Vera, um dia você me disse que o castigo
mais cruel, a tortura mais bárbara é
apaixonar-se.

Brenno Costa é um poeta e dramaturgo carioca. Escreveu o livro poemas de uma quarta-feira (clube de autores, 2016) e mais de 20 peças de teatro, dentre elas:  A rua k, Os lúcidos enlouquecem mais e Entre moscas, whiskys e hotdogs. Também foi publicado em diversas revistas literárias, dentre elas, a revista Cult. Os três poemas aqui apresentados integram “O RoboCop de Copacabana”, no prelo.

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